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Estrada
Pagliarini volta ao Brasil

Brasileiro será um dos pilares do projeto olímpico nacional
28/07/2009





Por Leandro Bittar

Depois de 10 anos na Europa, o velocista Luciano Pagliarini voltará a morar e a treinar no país. Ele será a peça central do projeto de pista brasileiro de olho nos Jogos Olímpicos de Londres, em 2012. Depois de toda a confusão com a equipe francesa H2O, que acabou não saindo do papel, Pagliarini ficou um tempo longe da bike, sem muita certeza de como seria o futuro. “Meus companheiros de equipe assinaram com outros times em condições absurdas”, diz.

De volta aos treinos há dois meses, Pagliarini se diz perto do peso ideal. Ele pretende estar no auge para as etapas da Copa do Mundo de Pista, no final do ano. Para ganhar ritmo de prova, o brasileiro participará da Volta de São Paulo e de outras provas do calendário nacional, provavelmente, pela Memorial/Santos.

VO2: Como surgiu essa chance de voltar ao país?
Luciano Pagliarini: Tudo caminhou para isso. Principalmente, o fim da minha equipe, a H2O. Pensei que já era hora de pensar na minha família, na minha filha, nos meus pais. Esses anos na Itália foram muito sacrificantes. Vi que seria uma grande oportunidade de retornar à pista, a CBC apóia o projeto, o Cláudio Diegues (treinador da seleção) é um dos que mais me motivaram. Não será fácil. Sei bem o que nos aguarda. Mas acredito que podemos fazer um bom papel nos Jogos de Londres, em 2012.

VO2: Como será o projeto para a pista?
LP: No momento, isso está nas mãos do Cláudio Diegues. Eu devo treinar em Londrina/PR, por enquanto. A região tem boas estradas e no autódromo tem uma circuito de 500m ideal para treinos de vácuo na moto. Rodei muito lá, no começo da minha carreira, atrás da moto do Vasconcellos.

VO2: O projeto envolve outros atletas?
LP: Sem dúvida. Não penso só nas minhas possibilidades neste projeto e, sim, em tudo que ele pode proporcionar ao país. Mas, por enquanto, eu só penso no que eu posso contribuir. Pretendo competir as provas de meio-fundo, especialmente a por pontos, na qual eu devo competir sozinho.

VO2: Você acha que o Brasil pode sonhar com medalhas na pista?
LP: Olha, o exemplo da Argentina nos permite sonhar sim. Este começo será de muito sacrifício e aprendizado. A confiança é grande. Esse é o primeiro ano do ciclo olímpico, momento ideal para começar o projeto. Vamos ter que brigar muito para evoluir e, aí sim, esperar algo melhor nas Olimpíadas.

VO2: É o fim da sua carreira internacional na estrada?
LP: Não sei. Estou aberto a propostas para a próxima temporada. Terá que ser um projeto que respeite meu calendário de pista, minha prioridade agora. O ciclismo europeu passa por muitas dificuldades. Não estou me iludindo mais não. Penso muito na minha vida pessoal. Será difícil surgir algo que me empolgue.

VO2: O que podemos esperar do Pagliarini na Volta de SP?
LP: Volto ao Brasil com a mente tranqüila, sem vergonha de nada. Tive sucesso na Europa (foram mais de 50 vitórias, incluindo o período diletante) e ainda tenho muito para dar. Chego contente com o que vivi, Tour, Giro, Paris-Roubaix, Milão-São Remo...Também chego com a humildade de saber que não será fácil andar com o pelotão nacional. Vou rodar na Volta. Ganhar volume. Fiquei muito tempo parado, ganhei peso, e provavelmente, nem entrarei nos sprints.

VO2: Você competirá na Memorial/Santos?
LP: É o mais provável, mas ainda não está 100% fechado. Não tenho vínculo com nenhuma outra equipe e nada me impede, mas faltam detalhes.






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