Vencedor da Volta do Paraná 2009, Raul Cançado fala ao Prólogo sobre a disputa, as próximas competições e sobre o ciclismo nacional
10/06/2009
Por Felipe Vilasanchez
Com apenas dois segundos de diferença sobre Eduardo Sales (Dataro/ Cordeirópolis), o sul-mato-grossense Raul Cançado (Cesc/ Sundown/ São Caetano do Sul), de 27 anos, conquistou a vitória da Volta do Paraná 2009 na última etapa da competição, realizada dia 7.
Profissional desde 2004, quando passou a competir na equipe de São Caetano, Cançado, que entrou para o ciclismo em 2003, na equipe amadora Gilmar Bicicletas, de Mato Grosso do Sul, já venceu a Volta do Mato Grosso, em 2003 e, neste ano, o GP Vila Velha, no Espírito Santo.
Agora se preparando para o Campeonato Interestadual de Pista, o Campeonato Brasileiro e os Jogos Regionais, Raul conta ao Prólogo sobre a Volta do Paraná, sobre suas intenções para as próximas disputas e fala que o nível do ciclismo nacional “subiu tanto que hoje todos os atletas podem ganhar. Não tem mais um favorito”.
Prólogo - O que você achou da Volta do Paraná 2009? Raul - Muito dura, porque o terreno daquela região é muito montanhoso, com muitas subidas. E isso dificulta muito para os atletas.
Prólogo - Quais foram as maiores dificuldades que você enfrentou? Raul - Em primeiro lugar foi o frio no dia da largada e em segundo lugar o nível dos atletas, que estava muito igual – você pode ver que eu ganhei por 2s. O ciclismo está muito nivelado no Brasil. E em terceiro lugar é muito íngreme o terreno da região.
Prólogo - Em que ponto você acha que se saiu melhor durante a disputa? Raul - Eu estou me preparando mais para os Jogos Regionais [cuja primeira etapa acontece entre os dias 29/06 e 12/07] e pra mim foi uma surpresa ter vencido essa Volta. O quem me sustentou muito foi a primeira etapa [Cançado completou a jornada de abertura do evento na segunda colocação], que me deu força para as demais, e eu comecei a me sair melhor até a vitória. O último dia foi muito duro e eu consegui.
Prólogo - Qual foi o segredo para vencer a Volta na última etapa, ficando dois segundo à frente do segundo colocado? Raul - Para falar a verdade, segredo não tem. Nossa equipe foi composta por 4 atletas [Fabiele Motta, Michel Fernandez, Valcemar Justino e Leonardo Vieira], além de mim, e também foi muito unida. A ajuda deles, me fortaleceu muito, me levou para cima, para vencer a prova. O maior segredo foi a união da equipe. Sem a união, a gente não teria esse titulo.
Prólogo - Em 2008, você terminou a prova na 17ª colocação. O que mudou na sua preparação de lá para cá? Raul - No ano passado, eu tive que trabalhar para outros atletas. Eu dava meu sangue e meu suor pra ajudar eles. E este ano foi o contrário. Como quem se saísse melhor na primeira etapa seria o escolhido para vencer, eles me deram a confiança e me passaram a responsabilidade de ser o número um.
Prólogo - Muitas equipes, como a argentina Acme Cycling Team e a Pindamonhangaba, abandonaram a prova. Por que você acha que isso aconteceu? Raul - A prova é muito dura, mesmo. É um terreno muito difícil. Então o atleta que não está preparado, que está lá para treinar, vai ter muitas dificuldades. Não é uma prova para treinar. É uma prova pra competir. Você tem que estar preparado fisicamente e psicologicamente.
Prólogo - Quais são as próximas provas que você vai correr? Raul - As próximas provas são o Campeonato Interestadual de Pista, em Caieiras, nos dias 20 e 21, e o Campeonato Brasileiro, nos dias 27 e 28. No campeonato de pista, vou disputar as modalidades perseguição e por pontos e também vou aproveitar para me preparar para os Jogos Regionais. E se eu ganhar um título, eu agradeço! Já no Brasileiro, eu vou correr as modalidades estrada e contrarrelógio, mas eu vou mesmo para correr a crono. Vou lá brigar para estar entre os cinco primeiros.
Prólogo - Nas competições internacionais, o que você percebe de diferença entre o ciclismo brasileiro e o de outros países? Raul - O Chile é muito forte, a Argentina é muito forte, o Uruguai é muito forte, mas o terreno deles lá não é como o nosso. E lá eles estão meio fora de temporada também. Eles são adversários fortes, que têm uma cultura do ciclismo. Aqui no Brasil não tem essa cultura. Enquanto aqui ela está muito fraca, lá fora é muito forte. Mas o nível aqui subiu muito, tanto que hoje todos os atletas podem ganhar. Não tem mais um favorito.
Prólogo - Você acha que a situação está melhorando? Raul - Sim. Há cinco anos era pior. Hoje já tem escolinha para preparar os moleques. Daqui a 10 anos eu acho que teremos cada vez mais atletas indo para fora, como o Murilo Fischer e o Gideoni Monteiro. Espero que continue assim.
Prólogo - O que você acha que precisa mudar no ciclismo brasileiro? Raul - Falta muito apoio, muito patrocínio. Isso dificulta a expansão do ciclismo no Brasil.