Bem-vindo ao Prólogo. Seu portal sobre duas rodas.      Sexta-feira, 27 de Novembro de 2009





Mundo duas rodas
Participe de um sonho

Ajude Daniel Auer a voltar a pedalar
02/06/2009





Daniel Auer é um exemplo para todos. Hoje, prestes a completar 35 anos, Auer vive uma relação intensa de amor com a bicicleta. Veja como ele mesmo conta o início desta história à revista VO2 na seção Por Isso eu Pedalo, em setembro de 2007:

“Sempre gostei de bicicleta, mas na minha infância minha mãe, pensando no meu bem estar, nunca me presenteou com uma. Sempre procurou me distanciar delas. Mas mesmo sem bicicleta eu corria atrás das outras crianças que as tinham, só pela sensação de imaginar como seria pedalar. Então, com 12 anos encontrei uma “bicicleta” jogada em um terreno baldio. Ela estava bem velha, enferrujada, sem pneus e com as rodas tortas, mas foi o que bastou pra eu aprender a pedalar, lógico, depois de muita persistência e inúmeros tombos.”

Hoje, Daniel Auer tem um desafio ainda maior. Há um ano ele não pedala, pois o quadro da sua bicicleta quebrou. Uma matéria sobre isso no site Pedal.com levantou a questão e, logo em seguida, o fórum de discussão daquele site iniciou uma campanha para ajudar o ciclista de Ponta Grossa, Paraná.

Se você pode e quer ajudá-lo, acesse o fórum do Pedal http://www.pedal.com.br/forum/forum_posts.asp?TID=8618 ou escreva para faleconosco@prologo.com.br

Veja na íntegra o texto de Daniel Auer, publicado na seção Por Isso eu Pedalo, de setembro de 2007

Sou deficiente físico, não possuo as duas mãos devido à talidomida, um medicamento comercializado no Brasil na década de 1970. Era receitado pelos médicos para evitar enjôos em gestantes, utilizado também como sedativo. Só que havia efeito colateral: causava deformidade em várias crianças nascidas naquela época. Mas ainda não haviam associado as deformidades ao medicamento, tanto que ele foi receitado à minha mãe. Atualmente o remédio é proibido no Brasil para mulheres em idade fértil, mas indicado para tratar de doenças degenerativas, aids e lúpus, entre outras.

Desde pequeno sou amante de esportes e, principalmente, do ciclismo. Nos meus aniversários, implorava para minha mãe uma bicicleta de presente. Mas, pensando no meu bem-estar, ela sempre procurou me distanciar deste sonho, frustrando até meu irmão, que também não ganhava. A cada ano, ela sempre encontrava uma boa desculpa.

Na minha época de molecagem, tempo em que eu morava em Osasco (São Paulo), adorava ficar correndo ao lado dos meus amiguinhos que tinham bicicleta, tentando sentir a emoção de como seria estar sentado sobre uma bike, pedalando e sentindo o vento em meu rosto.

Quando tinha 12 anos, um belo dia, quando brincava pelas ruas, encontrei uma ‘bicicleta’ jogada em um terreno. Ela estava bem velha, enferrujada, sem pneus, rodas tortas – e o pior, sem freios. Meu presente caiu do céu e fui sorridente para casa a empurrando, meus amiguinhos tirando sarro, dizendo: ‘Vai levar esse lixo pra casa?’

Minha mãe quase caiu de costas quando viu. Só sendo mãe para saber o que ela pensou naquela hora, mas, para mim, foi o que bastou para aprender a pedalar, lógico, depois de muita persistência e inúmeros tombos.

A vida de ciclista

Hoje, aos 33 anos, trabalho em uma Associação de Esportes para Deficientes, a APEDEF e foi com esse trabalho que consegui comprar a minha própria bicicleta, sendo que ela teve de ser adaptada às minhas necessidades. Tive de aprender a fazer manutenção na bike, regular marchas, freio, trocar pneus etc. Saio sozinho para fazer viagens pequenas ou treinamentos e acontecem imprevistos, tenho de me virar para não ficar na estrada. No dia 4 de outubro do ano passado realizei mais um sonho, fiz uma viagem de 350 Km de bicicleta, saindo de minha cidade natal, Ponta Grossa, no Paraná, o que deixou minha mãe bastante preocupada. Fui à cidade de Itajaí, Santa Catarina, onde são realizados o Regional Sul Paradesportivo. Concluí a viagem em quatro dias, passei por Curitiba, Joinville e, finalmente, Itajaí.

Chegando lá, fui recebido pelo prefeito e a banda da cidade. Dei uma palestra para centenas de pessoas que ali estavam aguardando minha chegada. Essa viagem conseguiu transmitir uma energia boa por onde quer que eu passasse, reunindo muitas pessoas para me conhecer e tirar fotos. Consegui transformar olhares de compaixão em olhares de admiração. O “Projeto Dani”, como ficou conhecida a viagem, foi destacado em jornais do Paraná e de Santa Catarina. Hoje sou convidado a ministrar palestras de motivação em escolas, empresas etc. Sinto-me um herói com o carinho que recebo em todos os lugares, principalmente das crianças.

Percebi que minha mãe ficou orgulhosa por mim: ela fazia questão de contar a façanha para os meus parentes e amigos, quando ligavam ou visitavam minha casa. Meu sonho não acaba aqui. Minha mãe, ano passado, ficou doente. No meu retorno de Itajaí, fiz uma promessa de ir até o Santuário Nacional de Nossa Senhora de Aparecida, em São Paulo, rezar para que ela se recuperasse. Infelizmente, ela estava com câncer e faleceu. Agora, minha promessa será uma homenagem para Valderez Dias Auer. Pretendo percorrer uma distância bem maior, cerca de 800 km. Essa viagem será iniciada em 1º de outubro e, na chegada, dia 12 de outubro, quero levar a santa de N. S. Aparecida até o altar, concluindo minha homenagem.

Quero chamar a atenção da população para a prática de um esporte ou atividade física por meio de um exemplo de superação de um paraatleta, desmistificar preconceitos e mostrar que não existem barreiras para quem tem um sonho. Quero que saibam que pessoas deficientes são tão capazes quanto as pessoas normais. Eu sou igual a todas elas. Até minha mãe não acreditava e eu consegui provar para ela.”







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